É tarde da noite. Na verdade, é manhã ainda escura.
Estou cheia de letras, números, tintas coloridas, projetos, ideias e planos.
Ouvindo música como sempre faço quando estou na frente do computador. E quando não estou também.
Dessa vez, mais baixo do que de costume porque no quarto ao lado dorme o sono que me protege.
Eu não estou concentrada. Eu quase nunca consigo me concentrar.
Eu não percebo o que está acontecendo até que dos meus olhos, pro meu queixo, se juntando numa gota grande que molha minhas pernas num short curto cheio de bolinhas, surgem lágrimas.
Meu cérebro foi rápido, mas mais do que ele, foi o meu coração. Começou a sentir saudade antes que meus neurônios se desligassem dessas anotações sob o teclado e me fizessem percerber que na minha playlist, acabara de começar a tocar, na linda e rara voz do Leoni, "Fotografia".
Meio que mecanicamente, como se eu não estivesse sentindo, abri minha bolsinha roxa com borboleta colorida, peguei um CD no final dela e comecei, devagar, a ver fotos. Uma a uma. Com calma.
Comecei a folhear uma história que de tão linda, engraçada, emocionante, cheia de altos e baixos, me faz parar no meio dessa inspiração de saudade, pra colocar as mãos no rosto e chorar.
É estranho pensar que em alguns dias não nos veremos mais todas as manhãs. Não sentaremos no fundão pra estudar ou na frente pra fazer bagunça. Não dividiremos nossos casacos pra enfrentar o frio nem nos abraçaremos pra ficarmos quentes.
É estranho pensar que algumas pessoas querem se livrar desses dias de frio, abraços e afeto o mais rápido possível. Mas é tão estranhamente ruim que eu nem me importo mais... não com isso.
Me importo com os sorrisos que no meio de uma noite cansativa me fazem sorrir. Me importo com os abraços que, antes de dormir, peço ao Pai Maior que me dê a oportunidade de tê-los juntos aos meus por mais um dia. E mais outro, e outro, outro...
É clichê e repetivivo demais agradecer por tudo que passamos juntos. Mas se não isso, o que direi?
Agradeço sim. Agradeço muito. Por cada experiência, por menor que tenha sido, por mais insignificante que possa parecer...
Agradeço pelos bons dias, alguns abraçados. Pelos bolsos cheios de bombons que enganavam a gente que achava que tava enganando a fome na terceira aula. Agradeço pela bagunça que os professores não agradecem. Agradeço pelo silêncio que, quando raramente feito, era tão bom de se ouvir. Agradeço pelo barulho que me acordava vezinquando. Agradeço pelas vezes que juntos enfrentávamos o medo de sair do mapa de sala e pelas vezes que nos despediamos dramaticamente voltando, cada um, para o seu lugar. Agradeço pelas vezes que, fora daqui, continuávamos juntos...
Incontáveis palavrões, abraços, fotos, brigas, bate-boca, bolinhas de papel, dominó, mascotes, caras, bocas, bocejos,livros, carinho, beijo... agradeço. Por cada um.
Agradeço aos amigos que fiz e que, até sem perceberem, me faziam o bem que só ao lado deles eu sentia.
Agradeço aos não tão amigos que me fizeram se grossa e ignorante e perceber que não gosto e nem sei ser assim.
Agradeço aos professores pela força e dedicação. Não, pelos sermões num agradeço não. Eram certos, concordo, mas por eles não agradeço mesmo. Mas agradeço pelas palavras, sim. Agradeceria tbm se vocês usassem mais o 1 do lado esquerdo do 0 pra gente... mas nem dá mais tempo. Acabou.
E dói, de verdade, saber isso. Que acabou...
Não saber o que fazer todas as manhãs. Não ter mais os sorrisos diários. Não ter mais tudo isso que a gente teve e muitas vezes deixou escorrer pelos dedos. A cumplicidade... essa vai ser difícil de encontrar.
Mas uma coisa é certa, pra mim.
Foram criados laços aqui... uns maiores e mais bonitos do que outros. Mas existiram.
E os grandes e fortes, desse prédio pra fora, se existiram de verdade, não desatarão. E existiram...
Os rumos serão outros. As ideias, os objetivos, os caminhos serão guiados por placas com setas em sentidos diferentes, e não dá pra fugir disso, a gente já tá bem grandinho pra fugir "da regras" né?
Mas se der pra jogar migalhas no chão, marcar o caminho e voltar, os laços ainda existirão. É só assoprar pra tirar a poeira e ver que onde quer que a gente esteja, o que somos e seremos começou a ser traçado aqui.
Fim de ano - Mipt
Estou vendo um filme
Cada estrada que eu passei
cada história que eu vivi
Os futuros que eu sonhei
Cada dia, cada mês,
cada estação que eu dividi com vocês
Abri meu coração
Se um dia alguém falou
que o que foi não volta mais
a vida continua a escolha é sua
sou feliz de olhar pra trás
Como não lembrar de vocês?
Como não chorar outra vez?
só de lembrar
poder te abraçar
Se a estrada se abrir
e eu tiver que seguir
vou levar comigo cada amor de amigo
Como não querer de novo?
posso até ser bobo com vocês
Viveria tudo outra vez...
Portas se abriram
tive dias de frio
Histórias fugindo
Corações se unindo
Cada choro, cada riso,
cada emoção que eu dividi com vocês
abri meu coração
Se um dia alguém falou que o que foi não volta mais
a vida continua a escolha é sua
sou feliz de olhar pra trás
Como não lembrar de vocês?
Como não chorar outra vez?
Só de lembrar, poder te abraçar
E os laços que eu plantei que formaram raízes no meu chão
vou colher por toda vida, amigos do meu coração
Se o mundo te esquecer
quando o dia amanhecer
quero estar aqui também, vamos juntos pro ano que vem.
Como não lembrar de vocês?
Como não chorar outra vez?
Só de lembrar, poder te abraçar
Se a estrada se abrir e eu tiver que seguir
vou levar comigo cada amor de amigo
Como não querer de novo?
Posso até ser bobo com vocês
Viveria tudo outra vez!
Cada estrada que eu passei
cada história que eu vivi
Os futuros que eu sonhei
Cada dia, cada mês,
cada estação que eu dividi com vocês
Abri meu coração
Se um dia alguém falou
que o que foi não volta mais
a vida continua a escolha é sua
sou feliz de olhar pra trás
Como não lembrar de vocês?
Como não chorar outra vez?
só de lembrar
poder te abraçar
Se a estrada se abrir
e eu tiver que seguir
vou levar comigo cada amor de amigo
Como não querer de novo?
posso até ser bobo com vocês
Viveria tudo outra vez...
Portas se abriram
tive dias de frio
Histórias fugindo
Corações se unindo
Cada choro, cada riso,
cada emoção que eu dividi com vocês
abri meu coração
Se um dia alguém falou que o que foi não volta mais
a vida continua a escolha é sua
sou feliz de olhar pra trás
Como não lembrar de vocês?
Como não chorar outra vez?
Só de lembrar, poder te abraçar
E os laços que eu plantei que formaram raízes no meu chão
vou colher por toda vida, amigos do meu coração
Se o mundo te esquecer
quando o dia amanhecer
quero estar aqui também, vamos juntos pro ano que vem.
Como não lembrar de vocês?
Como não chorar outra vez?
Só de lembrar, poder te abraçar
Se a estrada se abrir e eu tiver que seguir
vou levar comigo cada amor de amigo
Como não querer de novo?
Posso até ser bobo com vocês
Viveria tudo outra vez!
2 comentários:
é a quebra da nossa redoma é libertador e terrível
Depois de ler isso, quase quis fazer parte desta turma. Na verdade, acho que quis fazer parte, sim. Porque lembrei de alguns momentos parecidos com esse por que passei. E doi mesmo! Às vezes, doi ainda anos depois, quando nos lembramos. Mas, em geral, tempos mais tarde, é bom ter em mente que tudo aconteceu de fato. Porque é o que faz a vida ganhar sentido. Sem isso, é como se não tivesse valido à pena.
TE AMO, linda! Que você, hein?!
Mifilho.
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