sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Cama


A noite inteira carregou um corpo acordado
Inquieto pela força que lhe prendia
Os olhos permaneceram ao passo das horas
A mente aberta ao pulso do peito.

O cansaço que domina o corpo que não quer
Na cama amassada consumar seu repouso
Levanta inconstante, anda pelo quarto
Gravidade, fraco, torna a cair.

As noites seguiam adultas
Preocupadas, incertas e vazias
Não sorriam, sucumbiam, desesperadas
De olhos fechados, de mente acordada, fingindo dormir.

Enquanto não passassem os lençóis da cama
Não haveria paz
Enquanto bagunçassem as manhãs, nas noites
Continuaria sem ar
Enquanto carregassem o que nunca existiu
Nunca iria existir

O sonho da noite pesada
Perdeu-se tentando a realidade
O amante da noite passada
Ficou no travesseiro.


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Um comentário:

Isaac Linhares disse...

Hoje despedacei os lençóis,
Os amarrei com esperança,
Que eles virassem anzóis,
Pra me trazer a bonança,
Que você me traz.

Hoje me fiz de palhaço,
Vesti meu sorriso,
E ao dormir, sei que o desfaço,
Mas ele inda tá estampado,
Pelo bem que tu me traz.

Hoje escapei da morte,
Pra viver mais um pouco,
Pra te contar da sorte,
De te encontrar de novo.

E o sono que não chega,
É que a paz não chega.
Você não chega com a paz,
Como um sonho que me traz,
O bem que tu me faz...

...Nêga.