sábado, 29 de outubro de 2011
Abajur de parede
Rezo todas as noites para que fiquem as coisas que eu nunca quis deixar ir.
Eu nunca deixei ir. Nunca.
Elas não foram, mas não mais as segurei aqui.
Desenharam monstros que não existem.
Eu, no meu quarto, morro de medo.
Nunca mais quero sair daqui.
Desenhei meus sonhos com guache nas paredes desse quarto.
Rezo todas as noites, a mesma oração, antes de dormir.
Eu saí. E me encontro perdida.
Comigo, só o anjo das palavras da noite que passou
Deixei escorrendo os sonhos que estavam na ponta de meus pincéis.
Saí do quarto assim que o dia acordou.
Tomei café quente. Queimei a língua.
Só voltei no fim do dia.
Os sonhos escorrendo na parede deslizavam na vontade de ainda ser
As luzes acesas, juntas, num abajur de parede
Passa de meia noite, apagam
Sem as cores finjo dormir.
Choro todas as noites para que as lágrimas estejam consumadas quando o dia nascer.
Na verdade, depois da dor, esse passa a ser o motivo.
Qual?
Choro porque dói.
Esse!
Mas daqui a pouco amanhece...
... e eu volto a ser.
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