domingo, 13 de novembro de 2011

Baú


São saudades. Ora com outros nomes, ora poesia. Há saudade nos olhos da menina, nos abraços de terça e nos finais de tarde amarelos.
Não. Apenas do lado de cá da lembrança. Do outro... poesia.

Lembro da menina que carregava lenços brancos e macios no lugar da pele. Veludo, carregava na voz. Vidros, nos olhos. Frágeis e fortes. Sempre gostei de seus olhos, grandes. Falo neles com frequência.
Não. Sinto falta.

Faltava conhecer a mulher. Lembro de seus ombros, pequenos. Pensei apenas serem fortes em cima do mundo. Subestimei tua força, querida. Desculpa o erro humano. Mas de tua poesia nunca duvidei, nem jamais o farei. 

Outrora já passou e sempre volta. O tempo que passou rápido, nunca mais.
Espero o dia do vento ir te buscar. Carregar pelos braços silenciosos da saudade. Rodopiem, saudades.

No meu peito, na cabeceira, no colo dela.
Na gargalhada, na música lenta, na próxima esquina.
No vinho, à noite, que ela toma. No gole, à seco, de minha surpresa.

Subestimei a mim mesma. Como pude?
Capaz desde o âmago. Sentir até ficar amargo. Sempre soube.
Ainda bem que é você. Ainda bem que carrega veludo e lenços macios nos abraços.
Ainda bem que é doce aos meu olhos que ainda lembram...
... dos teus.

Comecei a sentir inveja. De toda a saudade e solidão que machuca.
Dos sonhos, das flores, cafés e vestidos. Da vida...
Deveria ser eu, a fonte de onde brotam as poesias.
Deveriam ser eu, as cores e as dores que fossem tuas, no teu jeito que eu costumava te olhar carregá-las.

Fechei a tampa do baú. Sem poeira e sem dó.
São horas desde que a luz do corredor apagou num aviso.
Senti saudade, com o nome que queira usar.
A noite demora a passar, sempre, quando a gente não deixa ir, também, o que já foi.
Sonhei com os olhos da menina que carrega numa corrente as lembranças à tiracolo.

à Dear Prudence

3 comentários:

Anônimo disse...

Só podia ser obra da menina feita de doce e de ciranda. Saudades de sentir o teu abraço e a tua poesia assim tão de perto, Caracol.
A ti, doçura, todos os meus abraços de pôr-do-sol com açúcar e com afeto!
Te espero no show de Jeneci *-*

CristHCr disse...

xD,tava com saudade de andar por aqui menina, ainda bem que vim e li hoje.xD ótima leitura aqui ^^. xD bjo

Deeny Lima: disse...

Faz um tempinho que não ando por aqui... E hj venho e me deparo com isso... Até parece que o coração advinha... Minha vida tá resumida neste post, mas precisamente na frase "A noite demora a passar, sempre, quando a gente não deixa ir, também, o que já foi." Obrigada Karol, pelo texto tão lindo, e pela amizade mágica... Sou sua Fã...Beijinhos e saudades de ti...