Desacostumei das noites em que o destino certo era o sono
Sinto prazer, hoje, em não dormir
De sonhar, sinto falta
Enrolar o lençol fino, costurar as estrelas, acordar cansado.
Abracei a falta ao invés do travesseiro
Juntei as sandálias, apaguei o candeeiro
E como as marcas de um papel amassado, não consigo voltar a ser
Está longe de ser algo ruim, mas muito perto de não ser nada igual.
Observei, forçando a vista, as sombras diminuírem
Agridoce era a sensação de sorrir e chorar e o gosto que juntos deixam na boca
A essa altura os sonhos caem e, nessa rua, é que o sol chega.
Fecho os olhos com força sentindo a fé na oração
Não os abro mais, já sei sonhar
A noite é longa e nunca acaba
Mas amanhã espero, amada, chegar cedinho
Não perder nada e te ouvir cantar.
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