É engraçado...
E a gente começa assim, ou termina, frases onde a gente não prevê o futuro nem onde vai chegar vígula ou ponto final.
É cheia de tiros no escuro, essa vida. A gente vive de arriscar o tempo inteiro. Se não apostar, nunca vou ganhar. Se não comer, nunca vou saber se gosto. Se não amar, não vou sofrer e nem saber de tudo que isso me ensinaria. Se não tentar de novo, nunca vou saber se pode dar certo.
E a vida segue assim. Quase nunca precisa fazer sentido. Uma sequencia de fotos, uma trilha sonora e garrafas de café pra sustentar as noites nos olhos pesados. A vida é pesada, é leve, é brincadeira, é passarinho. É muito amor. Vai do suspiro à dor.
A gente joga bola na rua e se apaixona. Senta do lado de um menino bagunçado, no ônibus, e se apaixona. Vai sozinho numa sorveteria e se apaixona. Volta pra casa, acompanhado, porque está apaixonado. Bate a porta e não fica ninguém do lado de fora. A gente se apaixona demais e esse é o gás hélio da vida. É bonito.
É engraçado. E a gente diz isso, também, quando sabe o que dizer. É engraçado como a gente estuda, trabalha, abraça, almoça e dorme, planta uma árvore e ainda tem tempo pra amar. Amor consome, desgasta, aperta e vive. E amor acaba. Nunca tive medo dele por isso. Acabar é uma palavra forte e por isso prefiro adormecer. É uma questão de poesia, mas eu tenho os asas no chão.
Desculpe falar tanto em nós, mas tenho medo de falar sozinha e me perder. É que todas as noites eu penso no quanto essa vida tão amor quis me endurecer. Eu não deixei, mas eu não quero mais ser mole, não. Estou cada vez mais contraditória. Uma frase tem ecoado na minha cabeça. Algo como um espelho me dizia que “as coisas têm acontecido tão rápido que não dá tempo eternizá-las.” Eu, acredito no “eterno enquanto durar”. Eu quero viver de momentos. Longos, curtos, de vida inteira. Eu procuro intensidade. Como vou me entender e explicar pra alguém? As pessoas me enchem de perguntas..
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Eu não sei. Normalmente baixo a linha do horizonte, fito minhas mãos se cruzando e as bochechas virando flor e digo que não sei. Quase nunca precisa fazer sentido. Sempre gostei de sms na madrugada e ligações na divisa da noite e do dia. Gosto das pessoas que me fazem bem, dos momentos que me fazem esquecer e de quando sorrio quando alguém vai embora com a deixa de voltar. Prometi pra mim que não ia esperar a volta. Descobri que não consigo. Ficar na superfície não é comigo. Mergulho. Encho os pulmões com todo o ar que puder e mergulho. Mas definitivamente não sei nadar.
Na madrugada ninguém ligou. A luz que ilumina o quarto inteiro acendeu por conta própria. Liguei. Caixa de mensagens. Por falta de coragem, fui até o fim: Me desculpa, você. E que me desculpem, também, os cadeados, as trancas, as portas e as janelas fechadas. Eu nasci pra passarinho. Sempre gostei de laços, mas vou cuidar dos que carrego no pulso e no cabelo. Primeiro eu.
E levantei pra buscar mais um pouco de ar...
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4 comentários:
Perfeito e justo!
Que bom ler isso aí!
Um beijo.
Seu Menino, Josiani...
Obrigada por dividirem essas palavras comigo!
Lindaaa, que nosso!! Eu quis dizer tanta coisa nessa frase, que me emociona vê-la por aqui, mas não me surpreende porque o que é nosso é pra sempre seu, não é? E você disse tudo o que senti quando escrevemos isso, tão depressa que não dá tempo eternizar .. nem eternizarmos, mas ainda assim você eternizou sentimentos comuns nesse texto. Poucos 'pra sempres' na nossa vida e a gente assim, contraditórias, querendo dias eternos, inteiros, que insistem em passar entre os nossos dedos, e por mais que a gente pense que está protegido aqui na nossa mão, eles escorregam .. como a gente, a gente passarinho, que tem um céu inteiro ainda que com asas no chão, mas a gente prefere voar.
Muito lindo, hein?
Que você me deixa feliz por escrever belissimamente, cada dia, em mim, não é?
Cuide-se, muito, muito .. e solte "vezenquando" os cabelos para o ar ficar mais livre em você .
TEAMO!
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