sexta-feira, 3 de agosto de 2012

A casa é sua


Era algo sobre as minhas mãos suando nas dele que eu queria falar.
Não exatamente sobre mãos e suor, mas sobre o que escorria entre nós.
Não do tipo de escorrer por entre os dedos e se perder,
era algo parecido com transbordar.
Mal sei dizer...

Eram dois pares de olhos sérios, serenos e cheios de saudade.
Todos os receios, preces, pressas e desejos escancarados à porta entreaberta
pelo vento que não havia cessado.

Uma chave pendurada a tiracolo.
E se ele descobre?
Vai entrar aqui e saber de todos os meus segredos
Estarei perdida, estarei entregue.
Estarei com... medo? Não.

Era quase sublime. Uma nuvem. Leve...
O último botão aberto da camisa amarrotada de amor, a meia rasgada no fim da festa,
o último gole da bebida ainda gelada.
Era mais...

Uma porção de primavera entre ontem e amanhã
Tantos adjetivos entre risos, entre beijos
Sobre o que não sei dizer...
Sobre todos os detalhes presos à retina, ao coração menino,
às mãos que...

As mãos.
Era um gesto exato.
De colher fruta do pé, de colocar um bebê no colo, de poldar uma roseira.

- Com licença, eu posso ficar?
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2 comentários:

Thâmara Roque disse...

que lindo!

Anônimo disse...

Pode ficar menina. Pode encantar, cantar, brilhar, pintar, pular, e ainda quando cansar... volte e fique só, parada, a me amar!