sexta-feira, 13 de maio de 2011

Que seja leve.

Quero que seja leve... Quero coisas leves.
Quero conforto na cama, no colo, nos cílios e nos passos.
Quero mãos soltas segurando as minhas. E abraços fortes não para me prender, mas para não me deixar sentir vontade de ir.
Quero sorrisos.
Quero olhos brilhando.
Quero mãos frias nas minhas orelhas. Aos meus ouvidos, melodias.
Quero poder ir lá, fazer o que desejo e não ter sobre  as costas o medo e/ou obrigação de voltar e desfazer.
Quero roupas leves, cara limpa, pés descalços e cabelos ao vento.
Quero pessoas que não me cobrem nada, não me endureçam, não me desencantem.
Quero encanto. Daqueles que quase parecem paixão. Quero muito encanto.
Quero cafunés ao pé da nuca, sorvete de pavê e girassóis nas janelas.
Quero janelas. Abertas.
Quero um pôr-de-sol sem data marcada, me esperando todos os dias para contemplá-lo. E em dias nublados, o cheiro e vento do frio.
Quero, também, ficar sozinha. Não completamente. Com o vento, o orvalho, o cheiro do verde, as tulipas e os lírios, os querubins e as borboletas. No mais, às vezes, sozinha.
Quero pingentes, cordões e pedaços de papéis coloridos.
Quero dicionários abertos para facilitar, quero choros guardados para não se lembrar, quero olhos fechados para sonhar.
Quero simplicidade.
Quero pessoas que me façam sorrir de olhos fechados, abraçar com o corpo inteiro e que elogiem, de verdade,  minha roupa mais velha, meu cabelo bagunçado, meus óculos e minha pulseira de bolinhas.
Quero conversas longas, cabelos longos e tranças mal feitas.
Quero ser surpreendida.
Quero que seja diferente. Quero que não seja comum. O que? ... Que seja.
Quero tardes despretensiosas, com pontos, vírgulas, reticências. Exclamações!? Interrogações?! Às vezes... desde que soem como e tenham cheiro de poesia.
Quero poesia. Com ou sem rimas, com ou sem melodias, com ou sem paradoxos, paralelos, e parafusos. Poesia.
Quero correr fazendo barulho, cair desajeitada, receber e fazer cócegas até a barriga doer.
Quero um colo para deitar, colo para dormir, colo para chorar... quero um colo, sem pedir.
Quero ler no banheiro, fugir na varanda e tomar água gelada.
Quero dormir tranquila, lembrar dos sonhos e sentir preguiça de levantar.
Quero viver assim: sem saber onde e sem querer colocar ponto final.
Quero a chance de me ver despertar, (re)nascer, aprender e crescer todos os dias.
Quero viver bem assim... leve.
Porque cargas pesadas exigem muito da gente. Momentos pesados machucam os ombros. Pessoas pesadas, mais ainda, afinal elas vão cobrar da gente quando nossos ombros não suportarem mais. E se não cobrarem, nós mesmos o faremos.
Pessoas leves. Momentos leves. Sentimentos e desejos leves.
Eu quero...

"No fim tu hás de ver que as coisas mais leves são as únicas que o vento não conseguiu levar..."
[Mario Quintana]

8 comentários:

Anônimo disse...

"Força e delicadeza
Sonho e precisão
Seja firme, seja leve
Seja breve".

Teve uma boa escola, né, linda?! (risos) Tá escrevendo muito bem!!

TE AMO, hein?!

Sayonara

Jamý disse...

Quero textos nascidos de inspirações como as tuas, mesmo as aparentemente doídas. Quero ver nas entrelinhas a beleza que teu coração nos mostra. Quero poder dizer no abraço [que a gente tanto se deseja dar] que é possível, sim, ser leve!

Lindo texto. Parabéns "dinovo de vezes" :)

Anônimo disse...

Consigo ver parte da essência de nossa conversa... Inté consego ver a meninice de quem corre atrás do aco-íris porque acredita que é possível tocar as cores da felicidade.

Desculpa se falo bobêras... Você disse que eu poderia bagunçar, num foi?

Amo tu, desde o dia em que olhou pra mim e, sem licença, abraçou minha loucura... Oferecendo teu sorriso e tua poesia.
Isso já tá com uns 9 anos, acredita?

Lua

Anônimo disse...

Seus poemas são quase como pegar todas as coisas do mundo, coloca-las em um liquidificador gigantesco, e depois colocar uma parte dessa coisa liquidificada em um copo e quando beber poder definir o gosto de cada coisa, e sentir essas mesmas coisas... E tudo é sempre bem leve nesses 'copos de tudo'.
Suas palavras fazem-me sentir como que se estivesse utilizando minhas asas sem precisas me mover... É como poder ver a liberdade gritando meu nome...

Seus poemas mudam vidas, tocam-as, as completam...


The Angel

Karol disse...

"Se for pra sempre..."

Foi, não foi, Linda?
Muito obrigada hein? Obrigada, hein?! :)

TE AMO, hein!?

Karol disse...

Obrigada por você aqui, viu, Linda?
Fico feliz por tu querer 'coisas assim' de mim, o que já seria um TANTO pelo tanto que a gente já é.
Fico feliz por ler você aqui, viu, Flor?

E eu quero sim, tbm, esse teu abraço apertado de quebrar costelas, bem leve.

AMO TU, viu?! (J)

Karol disse...

Luinha, tu viu parte da essência da nossa conversa nesse texto porque foi ela que me inspirou, me abriu os olhos e tranquilizou um pouco o coração.
Obrigada, viu? :)

Tanto tempo já passou, né? Muito ainda há de vir, ir, ficar e etecéras.
Amo tu, tbm, desde o dia louco do abraço que com sorriso tu me deu e eu aceitei tua loucura quando olhei pra mim.
Hã? (sorriso)
Foi isso, mesmo.

E pode bagunçar aqui, sim. Às vezes não parece, mas tem tanta meninice aqui, menina...

Karina de Holanda Rodrigues disse...

Parece que seu texto despertou o lado poeta daqueles que fizeram comentários... Vc tem esse dom... Pensei em copiar e colar o trecho com que mais me identifiquei, mas ia ter que copiar o texto todo. É o tipo de texto que quando termino de ler penso: Eu queria ter escrito isso. Essa sua meninice de gente grande chega a ser mágico. Parabéns pelo texto. Obrigada por me arrancar meus melhore sorrisos! TE AMO, tá? Já tem um tempinho isso... Que TE AMO... Que te Admiro!