segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Deixa-me ser



Atire-me a primeira nuvem quem se manteve raso em plena superfície do corpo, à imensa distância dos pelos teus... no outro.

Corte-me os espinhos ainda verdes quem conseguiu permanecer alheio à proeza da entrega, dos sorrisos que se ouvem e dos olhos que se supõem... na madrugada.

Lance-me a última rosa quem, de olhos bem abertos à segurança das mãos, pode encontrar a si próprio na trilha da silhueta de um abraço... num só.

Convençam-me a não ser.
Arrisquem.
Desistam de mim.
Desprendam-se.

Convertam-me, por fim, em pipa colorida nas mais meninas mãos e permitam-me buscar no ar o que nem sei do tom, da textura, da forma, mas que os grandes ditam incertos de boca cheia "felicidade!", os pequenos soletram com os olhos "s-e-r!" e meu coração, aprendido e solto, sabe bem como querer.
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